Rodrigo Braga desenvolve em imagens plotadas pés deformados, grudados uns aos outros. Com a “tecnologização” do cotidiano nossos corpos tornam-se imagens distantes, vistos como recursos e vividos como objetos visuais. Apesar da exposição obsessiva do corpo na última década, ele apresenta-se de maneira ambígua, pois as imagens reforçam uma ausência. O mundo tangível é substituído por uma seleção de imagens. O corpo desaparece fisicamente para estar presente através de moldagens que nos colocam em presença de corpos fracionados a evocar sua finitude e vulnerabilidade. Os artistas têm explorado a capacidade de novas tecnologias para refazer e reformar os próprios corpos que são com freqüência tecnológicos, híbridos, irônicos e abertos à diferença. Investigam o efeito da fragmentação da era pós-industrial na nossa experiência corpórea: é o corpo saturado na e pela tecnologia. A proliferação de imagens de fragmentos corporais parece refletir sobre sua desmaterialização.

Viviane Matesco
Para o catálogo do Prima Obra - Brasília, 2003/2004