Através da série de fotografias “Fantasia de Compensação”,
Rodrigo Braga apresenta um acontecimento, uma cirurgia à qual
ele se submete, fundindo-se com um rotweiler, num processo onde partes
da cabeça deste cão são costuradas sobre o rosto
do artista.
Mais do que um auto-retrato, ou ainda a retratação do
que é íntimo ao artista – dado que o trabalho
possui conotação autobiográfica, as fotografias
são uma metáfora da condição humana e
sua existência, uma problematização de sua relação
com o outro, e, em especial, consigo próprio.
O trabalho põe também em evidência questões
intrínsecas à própria mídia utilizada
pelo artista, gerando discussões em torno da introdução
da tecnologia eletrônica nos meios de captação
e disseminação da imagem, bem como suas possibilidades
nas artes visuais.
Transita nos limites nada tênues do real, do irreal e do ideal
– este último amplamente referido num campo simbólico
- acabando por penetrar no inevitável território da
ética, ao qual se submetem todas as ações humanas,
inclusive a arte.
Trata-se, portanto, de um trabalho universal, onde sensibilidade e
cognição se sugerem e se complementam mutuamente –
indissociáveis –, assim como o cão e o rosto do
artista.
Clarissa Diniz