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Rodrigo Braga promove
uma dramatização da pintura através da inscrição
metafórica do corpo desencarnado da representação
figural em oposição ao corpo selvagem do animal e alude
a mistérios e rituais primitivos, presentes na arte desde que o
homem obteve carimbos negativos por pulverização em torno
de sua própria mão nas cavernas pré-históricas.
Prefiguração da relação fecunda entre arte
e corpo, entre obra e pele. O couro aqui é tratado como uma pele
- ou derme , superfície seca , lisa, exposta de maneira impiedosa
na sua nudez .
Ao imprimir nesta
superfície o desenho dos pés, símbolo de vontade
e poder de deslocamento, de chegada e de partida, retira o chão
(privando-os de um certo sentido de realidade) , nos mostra no entanto
a completa imobilidade a que eles estão submetidos ao amarra-los
em cada caso dolorosamente um contra o outro. Assim privados de qualquer
possibilidade de movimento, o ponto de apoio do corpo estando no passo,
os pés perdem a responsabilidade de lhe dar equilíbrio e
ao invés de afirmarem "eu vim", confirmam o "aqui
estou, aqui permaneço" . São ilustrativos de um desejo
de permanência, ainda que a alto preço.
Maria do Carmo
Nino
Para a exposição “CÔMPUTOS”, Galeria Dumaresq
- Recife, 2002
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